Reunião dos Centros de Pacing 2026
No dia 23 de Maio de 2026 no “Hotel Axis Vermar” (Póvoa do Varzim) teve lugar a Reunião dos Centros de Pacing de 2026, organização conjunta da APAPE e IPRC; o programa foi elaborado pela comissão organizadora que integrou elementos das duas Direcções, tendo o secretariado externo da reunião sido localizado na sede do IPRC, tendo o apoio logístico ficado a cargo da empresa de eventos Xarm.
A reunião teve 79 inscrições, tendo estado representados grande parte dos centros nacionais de pacing, tendo sido apoiada pelas cinco firmas principais da indústria de dispositivos médicos, as quais se fizeram representar por membros dos corpos gerentes e/ou elementos do respectivo staff.
O programa científico abrangeu diversos aspectos do pacing, tendo os grandes temas sido “dispositivos na prevenção da morte súbita”, “pacing fisiológico”, “leadless pacing” e a abordagem actual da “síndrome bradi-taqui”.
Assim, a mesa inicial, patrocinada pela Medtronic, foi dedicada às diferenças na prevenção da morte súbita da utilização de dispositivos implantáveis em doentes com cardiopatia estrutural, ou nos sem cardiopatia estrutural, tendo por fim sido abordados os casos de morte súbita relacionada com disfunção do dispositivo implantado.
Seguiu-se uma Mesa-redonda sobre o estado da arte do uso do chamado “pacing fisiológico”, designação que tem vindo a ser aplicada ao longo dos anos a diferentes tipos de dispositivo conforme eles vão emergindo. Foram referidos os modos de se aumentar a taxa de sucesso desta metodologia e de prever os seus resultados, seguindo-se a discussão sobre a possibilidade de ela poder ser hoje considerada como de primeira escolha na terapêutica de doentes com insuficiência cardíaca, tendo sido abordada a utilização do LOT CRT (Optimized Cardiac Resynchronization Therapy), técnica avançada de estimulação para tratar a insuficiência cardíaca combinando a estimulação do ramo esquerdo com a de um elétrodo no seio coronário, superando a terapia convencional, tendo sido discutido o benefício de se harmonizar a estimulação com a sincronia.
A parte da manhã terminou com um debate sobre a “Prevenção da Morte Súbita” discutida agora no âmbito da saúde pública em geral, incluindo a importância da educação e a discussão sobre a melhor estratégia a ser aplicada a nível nacional.
A parte da tarde iniciou-se com outra Mesa-redonda patrocinada pela indústria, no caso a ABBOTT, em que se discutiu largamente a situação actual do “leadless pacing”, discutindo-se a optimização da técnica do seu implante e tendo sido referido os desafios que ainda se colocam, considerando-se que poderá vir a ser uma terapêutica de primeira linha, podendo mesmo tornar-se o standard em diversas situações clínicas; a mesa terminou com a abordagem da experiência actual na extracção de dispositivos leadless.
Seguiu-se uma “Sessão de Prós e Contras” sobre ao modo de abordar a síndrome bradi/taqui discutindo-se essencialmente o uso precoce do pacing versus a ablação de FA. O primeiro assegura em casos selecionados, segurança, estabilidade e menos recorrências sintomáticas; o segundo controla o ritmo e evita o uso de dispositivos, com todos os seus inconvenientes.
Concluiu-se que esta síndrome inclui essencialmente dois tipos de doentes, dependendo o tratamento de uma boa selecção – assim os doentes com predomínio de frequências baixas ou com diversos tipos de bradidisritmia beneficiam mais da implantação de um pacemaker, enquanto os com episódios de fibrilhação auricular, terão indicação para ablação de FA.
A reunião terminou com a sessão de homenagem ao Centro de Pacing do Hospital de Matosinhos, tendo o Dr. Fernando Montenegro abordado em nome desta Unidade, o seu historial, meios técnicos, pessoal e casuística.